Eutanásia – o caminho do meio

16/10/2012 at 20:28 Deixe um comentário

 

                    Recentemente foi aprovada uma lei pelo conselho federal de Medicina Veterinária que trata de algumas regras para o procediemnto de eutanásia em animais. Um dos pontos mais polêmicos foi sem dúvida a possibilidade de um proprietário optar pelo fim da vida de seu animal caso o tratamento clínico e/ou cirúrgico estipulado fique aquém de seus vencimentos.     

                    Tento entender todas as partes, mas a minha opinião é simples: pra variar, falta bom senso aos que escrevem e definem as leis e para aqueles que as interpretam como as ONGs. O texto precisa ser mais claro em relação a animais de produção e animais de companhia. E as vacas que não possuem acesso a hospitais veterinários públicos?  Alguém acha mesmo que a maioria dos produtores rurais irão colocar  em suas planilhas cirurgias de animais doentes?  

                    Enfim, acompanhem reportagem reproduzida do Uol e opinem!

                    Amém!

 

 

No dicionário dos homens, eutanásia é aquele ato generoso de proporcionar morte sem dor para quem sofre de uma doença incurável. No mundo animal, a palavra ganha sentido mais elástico: é estendida para casos em que o dono do bicho doente não pode pagar o tratamento. Esse é o ponto mais polêmico entre as novas regras definidas pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária. A entidade revisou sua normatização sobre eutanásia e emitiu uma nova resolução, que vem sendo criticada por entidades de proteção.

                    O documento inclui novos métodos para o sacrifício e retira da lista procedimentos de risco como o choque elétrico sem anestesia prévia.

  Eduardo Knapp/Folhapress  
Em primeiro plano, o cachorro Mingau, da raça lhasa apso. Atrás, sua dona, Miriam Caramico
Em primeiro plano, o cachorro Mingau, da raça lhasa apso. Atrás, sua dona, Miriam Caramico

                    Até aí, tudo bem. O problema é que o veterinário fica autorizado a matar animais produtivos doentes e cujo tratamento represente custos incompatíveis com a atividade ou com os recursos do proprietário. Trocando em miúdos: donos de animais de fazenda enfermos podem optar pela morte mesmo que ela possa ser evitada com cuidado médico. “A nova regra veio para regularizar a situação de trabalhadores rurais que não podem gastar o valor de cinco vacas para tratar um único animal com a perna quebrada, visto que não possuem recursos”, diz Marcelo Weinstein Teixeira, da Comissão de Ética, Bioética e Bem-Estar Animal do Conselho.

                      Para a empresária e protetora de gatos Eunice Lima, 42, a nova regra é desumana. “O fazendeiro tem que colocar em sua planilha de custos que os bichos também adoecem e precisam de tratamento. Não existe isso de matar só porque é caro cuidar”, diz. “O conselho não atentou para o fato de que a eutanásia deve ser praticada em benefício do animal, não de seu proprietário”, diz Vanice Orlandi, presidente da Uipa (União Internacional Protetora dos Animais). Segundo ela, que é advogada, o texto da nova resolução não condiz com a legislação que protege os animais, abrindo brecha para o sacrifício de “pets” por motivo financeiro.

                    “A resolução autoriza o sacrifício quando o tratamento tiver custos incompatíveis com a atividade que o animal desempenha ou com os recursos do dono. Cães e gatos não estão excluídos, uma vez que a resolução dispõe sobre a eutanásia de animais, sem fazer distinção entre os que são destinados ao abate e à companhia doméstica”, afima.

                    Segundo a entidade dos veterinários, quem tem bichos de estimação não pode recorrer à eutanásia só porque o tratamento é caro. “Quem não pode pagar deve buscar os hospitais universitários, os poucos hospitais veterinários públicos ou as ONGs”, diz Benedito Fortes de Arruda, presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária.

                    Mas Orlandi, da Uipa, critica ainda a autorização para sacrificar animais que constituírem ameaça à saúde pública. “Sarna pode ser considerada ameaça, até conjuntivite é ameaça”, afirma. Na visão dela, o texto deveria deixar claro que a eutanásia só é aceitável quando o bicho tem doença incurável.

                    “A nova resolução é um consenso entre os veterinários. Ninguém está falando em matar animais saudáveis, a regra vale apenas para os doentes que representam alto custo. Tratar uma vaca não é como cuidar de um gato dentro de casa”, diz Fortes.

                    Para Rosângela Ribeiro, veterinária e gerente de programas da WSPA (World Society for the Protection of Animals), outra falha da resolução é autorizar que pessoas sem diploma pratiquem eutanásia desde que assistidas por profissional da área: “Esse é um procedimento delicado que pode gerar dor.”

                    Teixeira rebate explicando o propósito da nova regra: “Em casos de epidemia, quando é necessário sacrificar um rebanho inteiro, o veterinário pode receber ajuda de pessoas treinadas desde que ele se responsabilize”.

                    No ano que vem, o Conselho Federal de Medicina Veterinária deve publicar um guia de métodos e boas práticas feito com o Ministério da Ciência e Tecnologia para orientar os profissionais sobre as técnicas de eutanásia. Segundo Teixeira, o método mais seguro, hoje, é a injeção de um anestésico potente.

                    É justamente com injeção letal que é feita a eutanásia no Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo. O órgão informa que sacrificou 912 cães e 103 gatos no primeiro semestre. “São animais removidos da rua, que já chegam ao centro sem condições de serem tratados”, afirma Telma Rocha, subgerente de Vigilância e Controle de Animais Domésticos do órgão.

DECISÃO TRAUMÁTICA

                    Sacrificar animal doméstico é uma decisão traumática. Muita gente desiste de ter bichos depois da experiência.

                     Em fevereiro de 2008, o gato Calvin, de seis anos, estava com 70% de sua função renal comprometida. Fazia xixi pela casa e emagrecia a olhos vistos, quando a dona, a advogada Camila Sesana, 38, decidiu sacrificá-lo: “Nunca vou esquecer o suspirinho que ele deu quando o anestésico entrou. Foi um dos dias mais pesados da minha vida”, diz. “Mesmo sem hipótese de melhora, foi atordoante me ver na posição de definir o fim da vida dele.”

                     Aos dez anos, a cocker spaniel Bruna ficou cega. Este ano, aos 15, foi operada de uma inflamação no útero. “Dois meses após a cirurgia ela enfraqueceu e não levantava para nada”, conta a engenheira ambiental Paula Ferreira, 24. Um dia, Bruna desmaiou no banho e foi levada ao veterinário: a inflamação no útero se espalhou. Nova operação foi desaconselhada por conta da idade da cadela.
“Conversamos na família e decidimos que o melhor era deixá-la descansar”, diz Paula. Hoje, seus pais discutem se terão ou não outro bicho.

                     Aos 15 anos, a engenheria civil Ana Carolina Paulino, 30, ganhou um bichinho de 1,90 m, o cavalo Dakar, criado na chácara onde ela morava, no Tocantins. Aos 17 anos, Ana levou Dakar para uma cavalgada. Caíram num buraco tampado pelo mato e Dakar feriu uma vértebra lombar. O cavalo chegou a andar até o caminhão que iria levá-lo de volta à chácara e foi examinado por um veterinário. Ao chegar, tropeçou na saída, na rampa do caminhão. A vértebra que estava fissurada se quebrou: “Não foi possível fazer nada. Aplicamos anti-inflamatórios e analgésicos, mas a dor dele era visível”, diz Ana Paula. Os pais e o veterinário decidiram sacrificar o bicho. Já ela não aceitava a ideia: “Eles marcaram a data, mas, no dia, não deixei. Fizeram a eutanásia quando eu saí para prestar vestibular.” Ana se mudou para cursar a faculdade e conta que nunca mais conseguiu voltar à chácara ou andar a cavalo.

Fonte: uol.com.br

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